quinta-feira, 30 de julho de 2015

Sempre que eu canto chove

Sempre que eu canto chove
https://www.youtube.com/watch?v=mVddQNWEv0E
Sempre que eu canto chove. 
Qual será a relação 
Do meu canto com a água, 
Minha voz na imensidão?

Sempre que meu canto escorre 
No quintal, turva a visão. 
Rio baixo e deságuo,
Choro seco no ser-tão.

Chão rachado rosto inteiro. 
A represa, a prisão, evapora, deixa marcas. 
Barro o peito em suspensão.

Há de viver e ser um ser intenso.
Rio em seu curso busca o mar
Pra ser imenso. 
Há de chover um canto cheio 
Para dar corpo e atravessar
Profundo o leito.

Sempre que eu canto chove 
Qual será a relação? 
Calo, ouço e me afogo 
Gota a gota na canção

Se anoitece no terreiro,
Pleno dia escuridão,
Céu da boca se anuveia,
Me desato grão em grão.


Há de viver e ser um ser intenso.
Rio em seu curso busca o mar 
Pra ser imenso. 
Há de chover um canto cheio 
Para dar corpo e atravessar, 
Profundo leito.

Composição: Luis Kiari e Matheus von Kruger

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