Sempre que eu canto chovehttps://www.youtube.com/watch?v=mVddQNWEv0E
Sempre que eu canto chove.
Qual será a relação
Do meu canto com a água,
Minha voz na imensidão?
Sempre que meu canto escorre
No quintal, turva a visão.
Rio baixo e deságuo,
Choro seco no ser-tão.
Chão rachado rosto inteiro.
A represa, a prisão, evapora, deixa marcas.
Barro o peito em suspensão.
Há de viver e ser um ser intenso.
Rio em seu curso busca o mar
Pra ser imenso.
Há de chover um canto cheio
Para dar corpo e atravessar
Profundo o leito.
Sempre que eu canto chove
Qual será a relação?
Calo, ouço e me afogo
Gota a gota na canção
Se anoitece no terreiro,
Pleno dia escuridão,
Céu da boca se anuveia,
Me desato grão em grão.
Há de viver e ser um ser intenso.
Rio em seu curso busca o mar
Pra ser imenso.
Há de chover um canto cheio
Para dar corpo e atravessar,
Profundo leito.
Composição: Luis Kiari e Matheus von Kruger
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