quarta-feira, 19 de agosto de 2015

NAS CORDAS DO VIOLÃO


 
Fiz meu rancho na montanha
Bem na beira do riacho
Onde a beleza é tamanha
E a chuva inventa barganha
E ganha do sol espaço

E quando chega a noitinha
O banquinho e o violão
Juntam-se à alma minha
Quando a voz se faz madrinha
No timbre de uma canção

Na desinência de grau
Da viola mais o ão
Do erudito ao jirau
Sob estrelas faz sarau
Magistrado violão

O ébano que te apraz
Tem a força da paixão
Na escala em que o belo jaz
No compasso pertinaz
Faz tremer o coração

E lá na beira da mata
Num viver sem ilusão
Meu fado rola em cascata
A lua atarraxa a prata
Nas cordas do violão


(Elair Cabral)

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